PT 51 - Mini-Tutorial: Como Travar e Portar
Posted by Igor Buys on Sunday, December 27, 2009
A PT 51, em 6.35mm, é uma arma excelente.
Deparei-me, algumas vezes, com falsos conhecedores a dizerem bobagens, via Rede Internacional de Computadores, sobre essa pistolinha; inclusive, há pouco mais de um ano, um suposto armeiro do Exército Brasileiro que fala mal de altos oficiais.
Bem, trata-se de um projeto deveras muito simples de arma de fogo, com custo otimizado, mas que eu nunca vi "engasgar": a mola do carregador dá conta do peso diminuto da munição com folga e não há extrator, pois o cano basculante ejeta o cartucho para trás. Nessa ejeção para trás, inclusive, ocorre o único defeito que eu detecto no conceito: as cápsulas vazias batem no rosto do atirador com freqüência, sobretudo se este se utilizar da posição de tiro Weaver propriamente dita, com os braços bem arqueados e o ferrolho a menos de um palmo e meio do rosto.
Eu municio a minha com sete munições no carregador e uma na câmara, pois nunca ponho a última munição em nenhuma pistola semiautomática.
A ação é simples e sempre deve haver uma munição na câmara. Entretanto, para evitar o incidente de tiro em função de queda da arma, deve-se levar o percussor à posição semiengatilhada. Quando se ouvir o "clique" característico, estará travado também o gatilho. É curioso como um grande números de usuários da PT51 desconhece esse travamento do gatilho na segurança.
Este sítio sobre as peças do agente 007 diz que a primeira pistola de James Bond era uma PB 950B, arma quase idêntica à PT51, e cujo carro eu mesmo permutei com o da minha para sanar um problema de agulha quebrada: http://www.bondcollection.com.ar/armasca
Entretanto, outros sítios sobre as armas do personagem não mencionam a PB 950B, mas sim uma outra PB, a 418, em .25ACP, com uma barra de segurança e também bastante semelhante à arma de que trata este tópico, porém, a meu ver, excessivamente sofisticada e cara para uma pistola de bolso em 6.35mm. Toda arma deve ter custo de fabricação e preço de venda compatíveis com as suas aplicabilidades.
Pistola Beretta 950B, em .22 Short, imputada ao personagem
fictício de Iam Flemming James Bond, no sítio mencionado.
fictício de Iam Flemming James Bond, no sítio mencionado.

Embora o agente 007 e seu autor Ian Fleming gostassem muito da Beretta dos livros por sua portabilidade e calibre ideal para matar, neste outro sítio: http://jamesbond.ajb007.co.uk/handguns-o
O Bond dos livros, pragmático, obsecado por seu trabalho, e bem mais compenetrado que o personagem cinematográfico, faz uma adaptação na sua Beretta, retirando-lhe o cabo sintético e envolvendo a estrutura "esqueletizada" do punho em fita adesiva. O objetivo da fita seria proporcionar uma melhor aderência da pequena pistola à mão, além de mantê-la destravada, com a barra de segurança permanentemente premida. Isso vem ao encontro da nossa visão sobra as pistolas em 6.35mm, que não devem ter travas manuais ou barras de segurança a encarecer seu custo de fabricação de modo inútil, pois que tais sistemas, mesmo taticamente, lhes são contraproducentes.
O personagem de Fleming se dá ao trabalho de serrar a massa de mira com cerca de um milímetro de altura e os talvez dois milímetros de cano que se prolongam para além do ferrolho: uma excentricidade bem ilustrativa do caráter do agente britânico detalhista e meticuloso dos livros, que pouco tem a ver com a sua versão americanizada para as telas de cinema.
Na minha arma, eu mandei fazer um acabamento "saia e blusa" e mantive as almofadas em madeira originais do projeto. Todavia, verifico que a retirada das almofadas reduz o peso e aumenta ainda mais a portabilidade da peça, de porte achatado, para sua utilização em "propósitos especiais" do tipo a que agentes de contra-inteligência costumam se dar.
Destarte, para porte, a PT51 tem sobre a Beretta do agente 007 a grande vantagem da ação simples, um sistema muito seguro e que não costuma falhar, prescindindo das improvisações descritas. De resto, são armas perfeitamente análogas em termos táticos.
Convém, pois, apenas manter a arma na segurança e, portanto, travada, conforme a dica acima, para elidir o risco de incidentes de tiro.
BOAS FESTAS

