A PT 51, em 6.35mm, é uma arma excelente.

Deparei-me, algumas vezes, com falsos conhecedores a dizerem bobagens, via Rede Internacional de Computadores, sobre essa pistolinha; inclusive, há pouco mais de um ano, um suposto armeiro do Exército Brasileiro que fala mal de altos oficiais.

Bem, trata-se de um projeto deveras muito simples de arma de fogo, com custo otimizado, mas que eu nunca vi "engasgar": a mola do carregador dá conta do peso diminuto da munição com folga e não há extrator, pois o cano basculante ejeta o cartucho para trás. Nessa ejeção para trás, inclusive, ocorre o único defeito que eu detecto no conceito: as cápsulas vazias batem no rosto do atirador com freqüência, sobretudo se este se utilizar da posição de tiro Weaver propriamente dita, com os braços bem arqueados e o ferrolho a menos de um palmo e meio do rosto.

Eu municio a minha com sete munições no carregador e uma na câmara, pois nunca ponho a última munição em nenhuma pistola semiautomática.

A ação é simples e sempre deve haver uma munição na câmara. Entretanto, para evitar o incidente de tiro em função de queda da arma, deve-se levar o percussor à posição semiengatilhada. Quando se ouvir o "clique" característico, estará travado também o gatilho. É curioso como um grande números de usuários da PT51 desconhece esse travamento do gatilho na segurança.

Este sítio sobre as peças do agente 007 diz que a primeira pistola de James Bond era uma PB 950B, arma quase idêntica à PT51, e cujo carro eu mesmo permutei com o da minha para sanar um problema de agulha quebrada: http://www.bondcollection.com.ar/armascalibre007_eng.htm


Entretanto, outros sítios sobre as armas do personagem não mencionam a PB 950B, mas sim uma outra PB, a 418, em .25ACP, com uma barra de segurança e também bastante semelhante à arma de que trata este tópico, porém, a meu ver, excessivamente sofisticada e cara para uma pistola de bolso em 6.35mm. Toda arma deve ter custo de fabricação e preço de venda compatíveis com as suas aplicabilidades.

Pistola Beretta 950B, em .22 Short, imputada ao personagem
fictício de Iam Flemming
James Bond, no sítio mencionado.


Embora o agente 007 e seu autor Ian Fleming gostassem muito da Beretta dos livros por sua portabilidade e calibre ideal para matar, neste outro sítio: http://jamesbond.ajb007.co.uk/handguns-of-james-bond , vê-se que o personagem deu uma "gambiarriada" na arma, a fim de aproximá-la ainda mais do ideal, segundo os abalisados referenciais do escritor.

O Bond dos livros, pragmático, obsecado por seu trabalho, e bem mais compenetrado que o personagem cinematográfico, faz uma adaptação na sua Beretta, retirando-lhe o cabo sintético e envolvendo a estrutura "esqueletizada" do punho em fita adesiva. O objetivo da fita seria proporcionar uma melhor aderência da pequena pistola à mão, além de mantê-la destravada, com a barra de segurança permanentemente premida. Isso vem ao encontro da nossa visão sobra as pistolas em 6.35mm, que não devem ter travas manuais ou barras de segurança a encarecer seu custo de fabricação de modo inútil, pois que tais sistemas, mesmo taticamente, lhes são contraproducentes.


Pistola de Bond antes e depois da adaptação.




O personagem de Fleming se dá ao trabalho de serrar a massa de mira com cerca de um milímetro de altura e os talvez dois milímetros de cano que se prolongam para além do ferrolho: uma excentricidade bem ilustrativa do caráter do agente britânico detalhista e meticuloso dos livros, que pouco tem a ver com a sua versão americanizada para as telas de cinema.

Na minha arma, eu mandei fazer um acabamento "saia e blusa" e mantive as almofadas em madeira originais do projeto. Todavia, verifico que a retirada das almofadas reduz o peso e aumenta ainda mais a portabilidade da peça, de porte achatado, para sua utilização em "propósitos especiais" do tipo a que agentes de contra-inteligência costumam se dar.

Destarte, para porte, a PT51 tem sobre a Beretta do agente 007 a grande vantagem da ação simples, um sistema muito seguro e que não costuma falhar, prescindindo das improvisações descritas. De resto, são armas perfeitamente análogas em termos táticos.

Convém, pois, apenas manter a arma na segurança e, portanto, travada, conforme a dica acima, para elidir o risco de incidentes de tiro.

BOAS FESTAS