A arma que está no rosto da nossa comunidade no Orkut nesta data, e já desde o dia 5 de julho, é um revólver SA/DA/DAO Merwin & Hulbert de cinco câmaras, em .38 Spl, com o cano da configuração compacta acoplado, de prováveis quatro polegadas. Essas armas têm canos [e tambores] fáceis de desacoplar e permutar, de sorte que costumavam ser entregues com um tubo longo e outro curto.

Os Merwins são revólveres refinados e originais que já apaixonaram alguns à primeira vista, como João Taffin, da “Guns Magazine”. O sistema de extração é único, permitindo que se liberem apenas as cápsulas deflagradas, enquanto as demais, com seu comprimento integral, ficam retidas nas câmaras. O revólver pode ser municiado através de uma janela de alimentação alocada do lado direito da arma.

Os sistemas de encaixe são muito robustos e, de modo fascinante e extremamente incomum, dispensam os rosqueados – pelo menos, o do cano –, conferindo a essa arma a sua fabulosa modularidade.

No modelo que se vê na foto, em .38 Spl, nota-se que a crista serrilhada, ou dedal serrilhado do cão – a que costumo chamar, às vezes, "tecla da ação simples" – é retrátil, fazendo com que a arma passe, facultativamente, de DAO a SA/DA, conforme se queira usá-la dentro da roupa ou inserta em coldre.






Na foto abaixo, pode ser vista a arma desmontada, com a robusta vareta do extrator à mostra, o sólido protetor de vareta contínuo ao cano semelhante ao do Smith & Wesson Model 3 e o tambor bastante reforçado nas poções entre as câmaras, mas, de modo bastante inteligente, menos reforçado sobre o topo de cada câmara.

Comenta-se que esse revólver chegou a ser avaliado como mais rústico que o Colt SAA, em algum momento.




Na imagem seguinte, uma outra peça com o cano de tamanho integral acoplado e o estilo de cabo que marcou o modelo em questão, visto também, na mesma época, nos primeiros Colt DA.




O ponto fraco desse revólver é exatamente o incomum sistema de extração, que, por ironia, é geralmente a primeira coisa a que se faz alusão quando a arma é mencionada. Outros revólveres utilizaram sistemas semelhantes, como o inglês Enfield Mark I e o belga Galand 9mm curto, mas nenhum destes vingou na era do tambor móvel rebatível.

A Merwin & Hulbert tinha uma relação estreita com a Hopkins & Allen, sendo que alguns modelos da arma em questão trazem gravados os nomes de ambas as empresas; a Merwin, todavia, faliu antes da Hopkins, esta última destruída pelo notório incêndio do ano de 1900 e definitivamente extinta em 1917, depois de uma associação final de dezesseis anos com a Forehand Arms.

Nas poucas décadas de sua glória, os M&H estiverem entre os quatro mais populares revólveres do Velho Oeste e, recentemente, há um esforço e uma promessa no sentido de que estas magníficas armas voltarão a ser fabricadas e comercializadas. Em ocorrendo essa ressurreição dos Merwin, eu, particularmente, acho que seria um desperdício não aproveitarem a oportunidade de construir modelos inteiramente modulares, com canos e tambores intercambiáveis em vários calibres, inclusive uma cano com guarda-mão para acompanhar uma coronha leve de encaixar. Vamos aguardar.